É impossível falar de obesidade sem citarmos os hormônios que estão envolvidos no processo digestivo, e todos os hormônios que sofrem alguma alteração durante o acumulo de gordura corporal. Por enquanto, falaremos apenas da leptina, um hormônio fundamental para qualquer pessoa, e que possui uma mudança muito curiosa no corpo de um individuo obeso.
O que é a leptina? Este é um hormônio produzido principalmente pelas células do tecido adiposo branco, mas também é produzida por outros vários órgãos como a glândula mamária, músculo esquelético e a placenta. Formada por 167 aminoácidos, a leptina é conhecida como o hormônio da saciedade. Sua função no sistema nervoso central é controlar a ingestão alimentar, enviando um estimulo ao sistema nervoso central e avisando que o individuo está saciado. Ela também tem a função de aumentar o gasto energético e regula o metabolismo de glicose e de gordura.
A leptina possui vários receptores que estão relacionados a sua função; receptores ObRb possuem maior expressão no hipotálamo. Outro conjunto de receptor para leptina é o ObRa, encontrado no pâncreas.
Como a leptina é produzida pelas células do tecido adiposo branco, é de fácil entendimento que quanto maior a quantidade de células adiposas, maior é a quantidade do hormônio liberado. Sendo assim, indivíduos obesos tem alta produção da leptina, que é um hormônio que gera a saciedade e aumenta o gasto energético! Mas então por que obesos comem muito e não perdem tantas calorias com tanta facilidade? Isso é explicado pelo paradoxo da leptina: Acredita-se que um acumulo rápido na concentração de leptina, pode levar a uma mudança nos receptores, fazendo com que estes se tornem menos sensíveis ao hormônio. Este mecanismo é conhecido como "down regulation" e ele faz com que seja necessária uma quantidade maior do que a normal do hormônio secretado, para que haja a mesma resposta.
Curioso não é? nosso corpo é repleto de mecanismos de adaptação quando há uma grande quantidade de estímulos a variados tipos de receptores! Embora muitos mecanismos de adaptação ainda não sejam completamente estabelecidos, sabemos a importância deles.
Fontes:
Sandoval DA, Davis SN. Leptin: metabolic control and regulation. J Diab Compl. 2003; 17(2): 108
Considine RV, Sinha MK, Heiman ML, Kriauciunas A, Stephens TW, Nyce MR, et al. Serum immunoreactive-leptin concentrations in normal-weight and obese humans. N Engl J Med 1996;334:292-5.
Roberto Mauro Pinto Coelho Barcellos Junior

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