domingo, 8 de novembro de 2015

Doenças relacionadas à obesidade

          
          A obesidade pode acarretar em diversas doenças e traz diversos fatores de risco para a saúde. Além disso, é um estado inflamatório, uma vez que o tecido adiposo branco produz uma série de citocinas e/ou adipocitocinas que levam à esse processo. 
          "Adipocitocinas, como a leptina, adiponectina e TNF-alfa, são substâncias ativas liberadas pelo tecido adiposo e acredita-se que estas possuem a capacidade de modular o processo inflamatório modificando a produção de citocinas pelas células do sistema imunológico, bem como, alterando mecanismos de maturação ou apoptose das mesmas.” (http://www.bv.fapesp.br/pt/bolsas/67479/papel-do-tecido-adiposo-perinodal-mesenterico-durante-a-resposta-inflamatoria-intestinal-alteracoes) 
          O aumento de tecido adiposo em indivíduos obesos pode levar a uma resistência à insulina, podendo acarretar em doenças cardiovasculares. Essa resistência à insulina pode trazer diversos problemas associados, tais como: 
  • afetar a vasodilatação mediada pelo endotélio através de uma redução de óxido nítrico; 
  • predisposição à doenças cardiovasculares através do avanço da hipertensão; 
  • aumento do risco de trombose; 
  • aumento de marcadores inflamatórios.
          A produção de leptina, pelo tecido adiposo, é dependente do padrão de obesidade, ou seja, quanto mais obeso, maior será o nível de leptina. Assim como a insulina, a leptina pode gerar efeitos depressores e pressores, como por exemplo, através da intensificação da excreção renal de sódio e da produção de óxido nítrico no rim, o excesso de leptina pode gerar uma queda da pressão arterial. Além disso, o excesso de leptina também pode ocasionar em um aumento da pressão arterial por meio de um aumento no tônus simpático no rim, nas adrenais e no coração. 
          Além disso, ainda existe uma relação entre indivíduos de massa corpórea alta com o risco de doenças cardiovasculares. A associação do consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e outras influências, como o estresse crônico, junto com a adiposidade gera uma propensão à doenças cardíacas.

Luana Lima Alves e Marina Minari R. de Carvalho

Fontes:
http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/14-4/07-obesidade.pdf
http://www.bv.fapesp.br/pt/bolsas/67479/papel-do-tecido-adiposo-perinodal-mesenterico-durante-a-resposta-inflamatoria-intestinal-alteracoes/

Imprinting metabólico e a obesidade


          A obesidade é uma doença muito comum na atualidade e pode ser causada por fatores genéticos e/ou ambientais. Nota-se que pais obesos possuem maior chance de terem filhos obesos, contudo não é certo se a genética é o principal fator que aumenta essas taxas, uma vez que pais e filhos costumam compartilhar hábitos alimentares e realizar atividades físicas semelhantes. 

          O imprinting metabólico se define como a relação entre a experiência nutricional na fase de desenvolvimento ou nos primeiros anos de vida de um indivíduo com uma predisposição de doenças durante sua vida adulta. 
          Uma pesquisa realizada por Ravelli et al. submeteu jovens de 19 anos a uma fase de escassez nutricional durante a fase intra-uterina. No estudo foram separadas mães que foram expostas a tais condições nos dois primeiros trimestres da gestação e outras que foram expostas no último trimestre. Os resultados mostraram que os filhos que foram submetidos à escassez nos primeiros estágios da gravidez apresentaram uma taxa de 80% maior de sobrepeso do que os filhos que não foram submetidos a tais condições. 
          A privação nutricional durante os dois primeiros trimestres, ocorreu durante um período crítico de formação do hipotálamo, responsável, entre outras funções, por regular o apetite. Já, os indivíduos que sofreram de carência nutricional durante o último trimestre de gestação ou nos primeiros meses de vida, promoveu um sobrepeso de 40%, pois ocorreu em uma etapa crítica da replicação dos adipócitos. 
          Além disso, hábitos alimentares infantis podem influenciar na etapa adulta do indivíduo, uma vez que crianças geralmente preferem sabores açucarados e rejeitam os ácidos e amargos. Neofobia também pode ser um problema, pois há uma tendência à rejeição de novos sabores. Um fator importante na aceitação de novos sabores, e assim uma alimentação mais balanceada, é a oferta do leite materno para a criança. 
          O gosto do leite materno é influenciado pela alimentação da mãe, portanto se a mãe possui uma nutrição rica e variada, ela poderá apresentar diferentes sabores no seu leite gerando uma maior receptividade da criança em diversos alimentos. 
          Considerando esses aspectos, é importante uma vasta alimentação desde a gestação até os primeiros anos de vida da criança para que sejam reduzidas suas chances de obesidade na fase adulta.

Luana Lima Alves e Marina Minari R. de Carvalho

Fontes:
http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n1/v80n1a04